Ultraformer não é laser: como funciona o ultrassom microfocado

O Ultraformer não é um laser: ele usa ultrassom microfocado, uma energia mecânica que atravessa a superfície da pele e se concentra em pontos específicos, em profundidades definidas. Nesses pontos, o calor provoca pequenas áreas de coagulação que estimulam o organismo a produzir colágeno novo. Como essa produção leva tempo, o efeito sobre a firmeza costuma aparecer de forma gradual, ao longo de semanas a alguns meses.

Mulher recebendo tratamento facial com dispositivo Ultraformer.

A confusão com o laser é compreensível. Os dois são chamados de “tecnologias” nas clínicas, os dois envolvem aparelhos e ambos podem ser usados para tratar sinais do envelhecimento. Mas o modo de agir é diferente, e entender essa diferença ajuda a ter expectativas realistas sobre o que o procedimento pode ou não fazer.

Ultrassom microfocado e laser: a diferença

O laser é luz. Ele emite um feixe com comprimento de onda específico, que é absorvido por alvos da pele chamados cromóforos: a água, a melanina (pigmento) ou a hemoglobina (sangue). É essa absorção que gera o efeito, seja para tratar manchas, vasinhos, textura ou cicatrizes. Se você quiser entender melhor esse mecanismo, vale ler como um laser funciona e para que ele é usado na pele.

O ultrassom microfocado não depende de cor nem de pigmento. Ele é formado por ondas sonoras de alta frequência que o ouvido humano não percebe. O aparelho concentra essas ondas em um ponto muito pequeno, como uma lupa concentra a luz do sol. Fora desse ponto, a energia passa sem causar dano relevante. No ponto focal, a temperatura sobe o suficiente para provocar uma microlesão térmica controlada.

Na prática, isso traz algumas consequências:

  • A superfície da pele é poupada. Ao contrário de lasers ablativos, que retiram parte da camada superficial, o ultrassom microfocado não abre a pele.
  • A profundidade é escolhida pela ponteira. Cada ponteira (também chamada de cartucho) entrega a energia em uma profundidade específica.
  • O alvo não é a cor. Por isso o Ultraformer não é usado para tratar manchas. Para pigmento, as ferramentas são outras.

Outra tecnologia que costuma entrar na conversa é a radiofrequência, que também aquece os tecidos, mas por corrente elétrica e de forma mais difusa. Há um texto no blog sobre radiofrequência e suas aplicações na pele que ajuda a comparar.

Camadas da pele que o aparelho alcança

A pele e os tecidos logo abaixo dela são organizados em camadas. Para entender o Ultraformer, interessa conhecer três delas:

  • Derme: camada logo abaixo da epiderme, rica em colágeno e elastina. É ela que dá sustentação e elasticidade à pele.
  • Tecido subcutâneo: camada com gordura, que dá volume e contorno.
  • SMAS (sistema músculo-aponeurótico superficial): uma camada fibrosa que envolve a musculatura da face. É a mesma estrutura que o cirurgião reposiciona em um lifting cirúrgico.

As ponteiras do Ultraformer alcançam profundidades diferentes, que vão de pouco mais de um milímetro até cerca de quatro milímetros e meio, conforme o modelo. As mais superficiais atuam na derme, com foco em textura e firmeza. As intermediárias trabalham na transição entre derme e subcutâneo. As mais profundas chegam à região do SMAS, que é o que permite falar em efeito de sustentação sem cirurgia.

Esse é o ponto que mais diferencia o ultrassom microfocado de outras tecnologias: a possibilidade de entregar energia em camadas profundas sem atravessá-las com cortes ou agulhas. Isso não significa que o resultado se iguale ao de uma cirurgia. Significa que existe um efeito de contração e estímulo em uma camada que outras tecnologias não costumam alcançar da mesma forma.

Na sessão, a escolha das ponteiras é feita área por área. A espessura da pele muda de uma região para outra do rosto e do pescoço. A testa, por exemplo, tem pouca gordura e osso logo abaixo. A região da mandíbula e da papada tem mais tecido. Por isso o planejamento precisa ser individual.

Por que o efeito é progressivo

Logo após a sessão, algumas pessoas notam uma leve sensação de pele mais firme. Isso acontece porque o calor provoca uma contração imediata das fibras de colágeno já existentes. Esse efeito inicial costuma ser discreto.

O que se busca de fato vem depois. As microlesões térmicas desencadeiam um processo de reparo: o organismo remove o tecido aquecido e produz colágeno novo naquela área. Esse processo, chamado de neocolagênese, não acontece de um dia para o outro. Ele se desenvolve ao longo de semanas e pode continuar por alguns meses.

Alguns pontos importantes sobre essa evolução:

  • O resultado varia de pessoa para pessoa. Idade, qualidade da pele, grau de flacidez, tabagismo, exposição solar e até o estado de saúde geral interferem na resposta.
  • Não há como prever a intensidade com precisão. A avaliação estima o que é razoável esperar, mas não existe garantia de resultado.
  • O envelhecimento continua. O colágeno produzido também envelhece, e por isso a manutenção costuma ser discutida.

Comparar fotos tiradas antes e alguns meses depois do procedimento, nas mesmas condições de luz e posição, costuma ajudar a perceber mudanças que no espelho do dia a dia passam despercebidas.

Sensação e recuperação

Durante a aplicação, a sensação mais comum é de calor e pequenas picadas ou pontadas em profundidade, principalmente nas regiões próximas ao osso, como a linha da mandíbula e a testa. A intensidade do desconforto varia muito: há quem descreva como tolerável e há quem sinta mais. A energia e as ponteiras podem ser ajustadas, e existem estratégias para deixar a sessão mais confortável, como o uso de anestésico tópico em alguns casos.

Depois da sessão, a maioria das pessoas volta às atividades no mesmo dia. Podem acontecer:

  • vermelhidão leve, que costuma passar em poucas horas;
  • inchaço discreto em algumas áreas;
  • sensibilidade ao toque por alguns dias;
  • com menos frequência, pequenas marcas lineares ou áreas roxas, que tendem a regredir.

Sensação de dormência, dor persistente ou alteração na movimentação da face não são esperadas e devem ser comunicadas ao médico. Por isso é importante que o procedimento seja feito por profissional habilitado, em equipamento regularizado na Anvisa e com ponteiras originais.

Quem costuma ter indicação

O ultrassom microfocado costuma ser considerado para pessoas com flacidez leve a moderada, que desejam melhorar a firmeza e o contorno sem cirurgia e sem tempo prolongado de recuperação. Regiões comuns de tratamento incluem a linha da mandíbula, a região abaixo do queixo, a testa (para sustentação da sobrancelha), as bochechas e o pescoço.

Ele tende a não ser a primeira opção quando:

  • a flacidez é intensa, com excesso de pele, situação em que a avaliação cirúrgica pode fazer mais sentido;
  • a queixa principal é perda de volume, que costuma pedir outras abordagens, como bioestimuladores ou preenchedores;
  • o incômodo é com manchas, vasinhos ou textura superficial, que respondem melhor a outras tecnologias.

Também há situações em que o procedimento é adiado ou evitado, como gestação, feridas ou infecção ativa na área, alguns implantes metálicos na região tratada e certas condições de saúde que o médico investiga na consulta. Em muitos casos, o ultrassom microfocado é combinado com outros tratamentos. Quando a perda de sustentação vem junto com perda de estrutura, por exemplo, pode ser discutida a associação com bioestimuladores. O blog explica como o Radiesse é usado na flacidez facial, um exemplo desse tipo de combinação.

Quando procurar avaliação médica

Vale buscar uma avaliação quando você nota a pele do rosto ou do pescoço menos firme, o contorno da mandíbula menos definido ou a sobrancelha mais baixa, e quer saber se uma tecnologia não cirúrgica faz sentido para o seu caso. Na consulta, o médico examina a espessura da pele, o grau de flacidez, a distribuição de gordura e a estrutura óssea, além de revisar seu histórico de saúde e procedimentos anteriores.

Perguntas frequentes

O Ultraformer queima a pele?

Ele gera calor em pontos profundos, mas não foi feito para queimar a superfície. Queimaduras são incomuns e estão mais associadas a técnica inadequada, energia excessiva ou equipamento irregular.

Ele serve para tratar manchas?

Não. Como o ultrassom microfocado não atua sobre pigmento, manchas são tratadas com outras abordagens, como cremes clareadores, peelings, luz pulsada ou lasers, conforme o tipo de mancha.

Em quanto tempo dá para ver alguma mudança?

Pode haver um efeito discreto logo após a sessão, mas a mudança principal depende da produção de colágeno e costuma ser percebida ao longo de semanas a alguns meses.

O resultado é igual ao de um lifting cirúrgico?

Não. O ultrassom microfocado atua na sustentação de forma mais sutil e não remove excesso de pele. Para flacidez intensa, a avaliação cirúrgica pode ser mais adequada.

Para avaliar o seu caso

Entender como o ultrassom microfocado age é o primeiro passo. O segundo é saber se ele faz sentido para a sua pele, para o seu grau de flacidez e para o que você espera. A Dra. Gabriela Cavalari, médica (CRM-SP 26574), com atuação em pele e cabelo, atende no Instituto AG, em São José do Rio Preto (SP). Se quiser conversar sobre o seu caso, você pode agendar uma análise completa.

Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
Email
Foto de Dra. Gabriela Cavalari | Dermatologista

Dra. Gabriela Cavalari | Dermatologista

Médica Dermatologista, a Dra. Gabriela Cavalari dedica sua carreira a transformar a saúde e a autoestima de seus pacientes através de uma medicina baseada em evidências e um olhar detalhista. Especialista em rejuvenescimento natural e tratamentos de alta tecnologia, ela vai além da estética convencional, ajudando cada pessoa a retomar a confiança e o brilho da sua pele. Com foco em procedimentos como bioestimuladores de colágeno, tecnologias a laser e gerenciamento do envelhecimento, a Dra. Gabriela oferece um caminho seguro para quem busca resultados harmônicos e duradouros. Sua missão? Provar que a pele saudável é o reflexo de um cuidado atento e que a maturidade pode ser vivida com máxima sofisticação e vitalidade.

Social

Contato